Ansiedade: quando ela deixa de ser apenas uma preocupação?
- Rafaela Giusti
- 24 de jul.
- 2 min de leitura
Todos nós sentimos ansiedade em algum momento da vida.
Ela aparece antes de uma entrevista de emprego, de uma mudança importante, de uma conversa difícil ou diante de qualquer situação que represente um desafio. Nesses momentos, ela cumpre uma função importante: preparar o corpo e a mente para lidar com aquilo que percebemos como uma ameaça.
Sentir ansiedade, por si só, não é um problema.
O sofrimento começa quando ela deixa de ser uma resposta pontual e passa a ocupar espaço demais na nossa rotina.
Quando pensamos no dia seguinte antes mesmo de viver o dia de hoje. Quando o descanso vem acompanhado de culpa. Quando a mente parece incapaz de desligar, mesmo nos momentos em que tudo está aparentemente bem.
É como viver sempre alguns passos à frente da própria vida.
Nem toda ansiedade faz barulho
Existe uma imagem muito difundida da ansiedade: alguém ofegante, em crise, sem conseguir respirar.
Embora isso possa acontecer, nem sempre é assim que ela se apresenta.
Às vezes, ela é silenciosa.
Está na necessidade constante de controlar tudo. Na dificuldade em delegar tarefas. Na sensação de que nunca estamos fazendo o suficiente. Na preocupação excessiva com a opinião dos outros ou no hábito de antecipar cenários que talvez nunca aconteçam.
Em muitos casos, a ansiedade não impede a pessoa de funcionar. Pelo contrário.
Ela continua trabalhando, estudando, cuidando da casa, resolvendo problemas e dando conta de tudo.
Por dentro, porém, existe um cansaço difícil de explicar.
O que a ansiedade tenta evitar?
Costumamos enxergar a ansiedade como algo que precisa desaparecer o mais rápido possível.
Mas, na psicoterapia, às vezes fazemos uma pergunta diferente.
O que essa ansiedade está tentando evitar que você sinta?
Essa pergunta nem sempre tem uma resposta imediata.
Em alguns momentos, ela pode estar relacionada ao medo de falhar. Em outros, à dificuldade em lidar com incertezas, perdas ou mudanças. Também pode surgir quando nos afastamos de necessidades importantes ou passamos tempo demais tentando corresponder às expectativas dos outros.
Mais do que um inimigo, a ansiedade pode funcionar como um sinal de que algo dentro de nós precisa ser escutado.
O caminho não costuma ser eliminar a ansiedade
É natural desejar que ela simplesmente desapareça.
Mas, na prática, esse nem sempre é o objetivo da terapia.
Ao longo do processo, buscamos compreender o significado daquela experiência, reconhecer os contextos em que ela aparece e desenvolver recursos para lidar com ela de forma mais saudável.
Quando entendemos o que está por trás da ansiedade, ela deixa de ser apenas um sintoma e passa a ser também uma oportunidade de conhecer aspectos importantes da nossa própria história.
Um convite
Se você se reconheceu em alguma parte deste texto, talvez não seja porque exista algo de errado com você.
Talvez seja apenas um convite para olhar com mais curiosidade e menos julgamento para aquilo que tem sentido.
Às vezes, compreender o que vivemos já é o primeiro passo para encontrar novas formas de caminhar.

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